Conceição Evaristo é candidata à ABL! Saiba mais sobre a escritora e descubra a importância de sua candidatura

No próximo dia 30 é decidido quem fará parte da Academia Brasileira de Letras. E felizmente, a mais cotada é Conceição Evaristo. Caso vença e receba sua cadeira do colegiado, ela seria a primeira mulher negra participante da ABL em 120 anos desde sua criação.

A literatura brasileira apaga à presença da negritude há séculos. Como por exemplo, Lima Barreto trazia suas influências negras, fortes e empoderadas. Por este motivo, ele foi excluído da cena literária da época e só foi ressurgir após sua morte, com a publicação do ensaio Literatura e Consciência em 1988, na revista Instituto de Estudos Brasileiros, assinada por Octavio Ianni. Na publicação, Octavio fala sobre três autores negros: Machado de Assis, Cruz e Souza e Lima Barreto. Dentre os três autores, apenas Machado deve destaque em vida.

Após décadas, a literatura brasileira caminha no sentido da igualdade. São passos lentos, mas segue. E com a possível participação de Conceição na ABL, esse seria o maior avanço em anos. Mérito a escritora tem de sobra. Vencedora do prêmio Jabuti em 2015 pelo livro de contos Olhos d’Água, editora Pallas/Fundação Biblioteca Nacional, Conceição estreou na literatura em 1990, com obras publicadas na série Cadernos Negros. Desde então, ela publicou dezenas de livros, entre eles: Becos da Memória e Ponciá Vicêncio, ambas também da editora Pallas. Nesses dois livros, a escritora escancara toda a existência negra reprimida em séculos na literatura brasileira. Memórias que partem de sua origem enquanto sua condição de mulher negra, como ela mesmo diz.

Livros de Conceição Evaristo
Ambos os livros estão disponíveis na loja da editora Pallas

Ponciá Vicêncio, publicado em 2003, a personagem-título busca sua identidade própria. Assim, ela encara sua jornada: caminhar, buscar seus sonhos, desencantar-se. Na trama, Conceição narra a infância à idade adulta de Ponciá Vicêncio, e descreve seus encontros e desencontros na procura de seu auto-descobrimento.

Em 1980 Conceição escreveu Becos da memória, entretanto o livro só foi publicado no ano de 2006, após 26 anos. O romance traz representatividade em seus personagens. Trata-se dum debate sobre àqueles que vivem na miséria: sobre àqueles que convivem com o desamparo, o preconceito, a fome. Desta forma, a escritora debate temas ainda pertinentes na sociedade brasileira.

Atualmente, Conceição trabalha em quatro projetos. O primeiro é Histórias para adormecer menino grande, um romance sobre uma mulher de idade avançada que recorda sobre seus amores. O segundo se trata dum ensaio sobre autoras negras contemporâneas, como Elizandra Souza, Carolina Maria de Jesus ou Lívia Natália, já o terceiro livro seria uma trilogia iniciada por Insubmissas lágrimas de mulheres. Por fim, Flores de Mulungu que deve ser entregue ainda neste ano à editora Pallas. O romance é sobre uma matriarca de 104 anos decidida a reunir seus filhos espalhados Brasil afora.

Sobre Conceição Evaristo

Em uma favela da zona sul de Belo Horizonte nascia Conceição Evaristo. Aos 25 anos, a escritora trabalhava como empregada doméstica e conciliava seu curso Normal, em 1971. Após a conclusão, ela se mudou para o Rio de Janeiro. Lá, ela passou em um concurso público para o magistério e estudou Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Anos mais tarde, Conceição concluiu seu mestrado em Literatura Brasileira e seu doutorado em Literatura Comparada, pela PUC-Rio e pela Universidade Federal de Fluminense respectivamente.

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